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12º Lição = Estudando:Teorias do Jornalismo

Teorias do Jornalismo

Teoria do Espelho
É a teoria mais antiga. Inspira-se no Positivismo do filósofo francês Auguste Comte (17981857).
A teoria acredita e defende a ideia de objetividade no jornalismo. Essa corrente vê o jornalista como um comunicador desinteressado, e que conta a verdade sempre, "doa a quem doer". Para o senso comum, é até hoje a concepção dominante no jornalismo ocidental.

Tem dois momentos históricos:
Meados do século 19. Nascimento do jornalismo informativo, que separa opinião de informação.
Início do século 20 - o jornalismo aparece associado a objetividade, aqui entendida como método criterioso de pesquisa e checagem dos fatos.
De acordo com esta teoria, as notícias de um bom jornalismo representam a realidade em sua forma fiel. Ou seja, ela acredita que o bom jornalismo consegue transmitir a realidade perfeitamente, como um espelho reproduz a imagem. A imparcialidade, aqui, é vista como completamente possível, pois crê que o jornalista é, como um profissional honesto, um “comunicador desinteressado”.
O que isso significa? Para a Teoria do Espelho, o jornalista não deixará que suas paixões políticas e toda a sua formação cultural interfiram na comunicação. Isso significa que nem mesmo a sua forma de ver o mundo, com seus conceitos de bom e mal, irão prejudicar a reportagem ou notícia.
A Teoria do Espelho parte da própria formação da sociedade capitalista democrática, onde o princípio de imparcialidade sempre foi visto como fundamental para a livre circulação da informação na sociedade, vista como um direito do cidadão. Daí o princípio histórico do jornalismo em ser imparcial, se conter aos fatos, sem distorcer a verdade.

Contestações
No entanto, os estudos de mídia e jornalismo mais recentes mostram ser impossível que os jornalistas consigam, de fato, reproduzir a verdade como um todo. Isso porque a “verdade”  pode variar de acordo com o conjunto de crenças culturais e valores sociais em que se encontra.
Por exemplo, será que a verdade para um muçulmano é a mesma para um cristão? Será que a verdade para um capitalista é a mesma para um socialista? Ou melhor, será que a forma de ver o mundo para um trabalhador é a mesma forma de ver o mundo para um empresário? A resposta é simples: não. Onde está verdade, então?  Podemos perceber, portanto, que a “verdade” não é algo tão simples. Muitas vezes, a “verdade” é algo construído ao longo da existência de uma sociedade através de sua cultura. Por isso, cada vez mais, a Teoria do Espelho é rejeitada pelos estudiosos da área, já que ela chega a ser inocente em sua crença.

Teoria da Ação Pessoal ou Teoria do Gatekeeper
O termo Gatekeeper significa “Guardião do portal”. Só por essa definição já podemos notar claramente que a teoria repousa sobre o processo de produção e seleção de notícias, partindo da ação pessoal do profissional da área: o jornalista – mais especificamente na função de editor, já que a figura do Gatekeeper mostra um agente que decide o que se transformará efetivamente em fato ou acontecimento noticiado, ou se serásimplesmente descartado.
Em termos acadêmicos, sabe-se que a Teoria do Gatekeeper é uma das primeiras a surgir na literatura específica do jornalismo. Seus contornos foram traçados na década de 1950, por David Mannig White. O pesquisador acompanhou a rotina do “Mr. Gate”, um edior não identificado, para entender como se dava os critérios de noticiabilidade e entender porque as noticias são como são.
White chegou à conclusão de que o processo de escolha é extremamente subjetivo, apesar dos pressupostos de objetividade do jornalismo. E que o editor, em última instancia, representa um funil que seleciona as notícias, decidindo arbitrariamente o que seria ou não publicado. Ou seja, White descreveu que o jornalista baseia-se em seu próprio conjunto de experiências, atitudes e expectativas.

Críticas à Teoria do Gatekeeper
De uma forma geral, as críticas dos estudiosos da área recaem na visão limitada de White em querer analisar todo o jornalismo simplesmente a partir da figura do editor ou jornalista. Isso porque, dessa forma – apesar das teorias atuais não negarem a subjetividade da profissão – as análises do Gatekeeper não consideram fatores externos que influenciam nas decisões do profissional.
Enfim, a questão organizacional, a linha editorial, o público alvo, audiência, concorrência entre outros fatores importantes ficam de fora. Um claro exemplo é a semelhança dos produtos jornalísticos, como os jornais impressos ou os telejornais que possuem quase o mesmo leque de cobertura noticiosa, com os mesmos assuntos.
Uma das primeiras teorias que contestaram as afirmações de White foi a Teoria Organizacional, mostrando as influências do ambiente de trabalhos sobre o jornalista.

Teoria Organizacional
A Teoria Organizacional teve origem na administração e na psicologia, adaptada para o jornalismo somente em 1995, pelo sociólogo norte-americano Warren-Breed. Segundo a administração, a Teoria Organizacional surgiu com a mudança de valores dentro das empresas e comunicação organizacional, formação de bons líderes e a aplicação da psicologia organizacional. Esta teoria de modelo funcionalista pode ser observada no jornalismo dentro das redações, onde as notícias são produzidas. O jornalismo é um mercado e as notícias são seus produtos, por tanto é necessária a organização das empresas, situação evidente no livro de Cremilda Medina, ‘Notícia: um produto à venda’. “As notícias são como são porque as empresas e organizações jornalísticas assim as determinam”. A Teoria Organizacional tem uma visão mercadológica: quanto mais organizado o processo jornalístico, mais lucrativo.
Dentro das empresas jornalísticas pode-se observar comumente a seguinte hierarquização, no caso dos jornais impressos: Proprietário, Diretor-Executivo ou Diretor Administrativo, Diretor Comercial, Diretor de circulação, Diretor de Jornalismo ou de Redação, Editor-Chefe, Editores, Editor de Fotografia, Chefe de Reportagem, Repórteres, Redatores, Revisores, Diagramadores, Ilustradores, Fotógrafos, Correspondentes e Secretário de Redação. A hierarquização das empresas jornalísticas acontece também nos outros meios de comunicação, de forma a organizar, como o próprio nome da teoria diz.
Existem dois tipos níveis que influenciam na produção de notícias de acordo esta teoria: ao nível organizacional com fatores como o desejo do lucro, a escolha de fontes, o acontecimento, a competição entre editores e editorias, recursos humanos e materiais, a hierarquia, organização e burocracia interna e interação com as fontes interferem na produção da matéria; Ao nível extra-organizacional as notícias sofrem influência sobre fatores comoaudiência e mercado, a relação estabelecida entre jornalista e fonte assim como a preferência aos canais de rotina.
De forma sociológica, é possível refletir que o jornalista torna-se um membro da redação, portanto, dependente das influências políticas do meio editorial e empresarial do veículo de comunicação. De acordo com o jornalista Heitor Costa Lima da Rocha, seis fatores são apontados pela Teoria Organizacional como relevantes na promoção do conformismo do jornalista com a política editorial da organização: (1) a autoridade institucional e as sanções; (2) os sentimentos de obrigações e de estima para com os superiores; (3) as aspirações de mobilidade; (4) a ausência de grupos de lealdade em conflito; (5) o prazer da atividade; (6) as notícias como valores.
Como as autoridades podem influenciar o fazer jornalístico? Basta saber que o jornalista está sempre respondendo a algum superior hierárquico e ao próprio dono da empresa. Se ele não seguir as orientações editoriais pode sofrer sanções, além de perder o próprio emprego, devido à falta de regulação da área por algum órgão, como os conselhos profissionais, não há muito o quê se fazer pelo jornalista.
O sensacionalismo está vinculado ao aumento do interesse da população pelo assunto, que envolve a produção de sensações nos receptores das informações e conseqüente aumento do número de vendas. O sensacionalismo e o imediatismo criticados pela Nova História são praticados na Teoria Organizacional, devido à competição entre diferentes empresas de  comunicação, visando maior destaque, maior lucro, o furo jornalístico e maior quantidade de informações. Acaba perdendo-se a qualidade da informação segundo critérios jornalísticos e pensando nos critérios mercadológicos.
Pensando pelo lado de vista de que a competição entre empresas jornalísticas gera a publicação de notícias com enfoques diferentes e por meio da investigação de diferentes fontes, a Teoria Organizacional pode ser positiva para o jornalismo. Todavia, a competição extrapola os níveis jornalísticos e acaba tornando-se pessoal entre os profissionais da área.
Influenciados por estas competições, o jornalismo novamente é afetado pela subjetividade. A Teoria Organizacional dá importância para a cultura organizacional, e não para a cultura profissional.
Um conflito bastante claro entre diferentes empresas jornalísticas acontece no meio televisivo entre a Rede Globo e a Rede Record. A divulgação de informações, ora verdadeiras, ora especulativas e até mesmo, agressivas, está presente nas duas emissoras televisivas brasileiras. Além da competição jornalística, influenciados pela hierarquia e pela própria identidade como uma equipe, os jornalistas acabam se colocando em situações constrangedoras. Por meio dessa concorrência entre empresas, os jornalistas podem inclusive publicar informações superficiais, sem o devido apuramento, o que relacionaria esta teoria com a Teoria da Nova História. 
Acredito que mesmo existindo diferenças e proximidades entre as Teorias da Nova História e Organizacional é importante que se entenda cada uma das teorias jornalísticas. O modelo reprodutivo é evidente na Organizacional, modelo este criticado na Nova História, que acredita que o jornalista deve ir além da reprodução das notícias, entender e refletir os seus contextos e pré-formações dos acontecimentos. Conhecer as duas teorias e estudá-las é melhor do que conhecer somente uma das duas. O que uma teoria tem de incompleta, uma outra teoria pode vir para complementar, mas acredito que nenhuma das teorias é completa o suficiente para explicar o jornalismo, já que as notícias e suas origens são mais complexas do que são tratadas em nosso cotidiano e na prática jornalística. 
Não podemos desconsiderar a importância da organização das redações jornalísticas.
Assemelhando-se às indústrias, as redações estão divididas em diferentes cargos e funções, mas a preocupação permanece na facilidade de reprodução de informações, que se mal apuradas podem causar uma série de prejuízos a sociedade. É preciso deixar de lado a competição pelo furo jornalístico, e começar a se preocupar mais com a qualidade das informações. 
Deixo a seguinte reflexão aos leitores: é melhor ter a notícia em primeira mão e mal apurada, por causa da ineficiência dos jornais e jornalistas, que estão preocupados com a quantidade de informações oferecidas e competição ou ter uma notícia que levou mais tempo para chegar até o receptor, mas que possa ser confiada, pois sabe que a mesma foi apurada, de forma a garantir que esteja o mais próximo possível da verdade?

Teoria da Ação Política
Entende que a mídia está a serviço de interesse políticos;   Herman e Chomsky (EUA, 1986)
• A notícia é aquilo que vende(Medina); 
• Os media reforçaram o “establishment”( poder estabelecido) graças à  ação dos donos  meios e dos anúncios; 
• O jornalismo funciona como modelo de propaganda.  

Aponta que há cinco razões para a subordinação do jornalismo aos interesses  capitalistas:
1 Propriedades dos media; 
2 Lucratividade ; 
3 Oficialismo; 
4 Punições
5 Ideologia anticomunista dominante entre jornalistas; 
Limites aos estudos e das teorias esquerdistas, segundo Herman e Chomsky:
• Desconsidera “certa autonomia do jornalista”; 
• -Atribui fortes laços entre donos das empresas e os jornalistas. 
As teorias da ação política pressupõem que as notícias são como são  porque interesses políticos e ideológicos assim as determinam. 
Para a teoria da ação política de direita, é o Estado que determina as notícias. Para a teoria da ação política de esquerda, elas são determinadas  pelos interesses ideológicos capitalistas.
• Para esta teoria as notícias servem como instrumento para se chegar a determinados interesses.  
• Parte de um paradigma de estudos da parcialidade, cujo objetivo é verificar ou não a existência de distorções nos textos noticiosos.

Há duas versões dessa teoria:
1- “Esquerda”: As notícias servem como instrumento para manter a ordem capitalista. 
 
 Aqui os teóricos “esquerdistas” defendem uma idéia de que as notícias são produzidas para sustentar socialmente a idéia de um mundo capitalista. Falam muito em teorias relacionadas à manipulação da visão que temos de “realidade” e acusam a mídia de agir de maneira parcial, ou seja, a favor dos interesses capitalistas, de consumo.
2- “Direita”: As notícias são utilizadas para questionar o sistema. Os teóricos “direitistas” (que em sua maioria defendem o sistema capitalista como natural) se defendem dizendo que as notícias não estão a serviço do sistema capitalista, mas sim na contramão desse sistema, questionando-o.
• Essa teoria reflete a teoria do espelho na medida em que propõe o estudo das distorções contidas nas notícias. Dessa forma, a notícia aqui é encarada como reflexo/ reprodução da realidade.
• Para os “esquerdistas” da Teoria Instrumentalista as notícias são parte da publicidade que sustenta o sistema capitalista. Valores como individualismo, competição e consumo aparecem cotidianamente consolidados nas páginas dos jornais e telas da televisão.
Noam Chomsky – um dos mais importantes teóricos dessa escola.
Nasceu em Filadélfia em 1928 de família judia ucraniana. Atualmente é professor no Departamento de Lingüística do MIT (Massachusetts Institute of Technology).
“A fabricação de ilusões necessárias para a gestão social é tão velha como a história”.
“Uma nova tecnologia como a televisão é muito útil, porque produz o efeito de isolar as pessoas. Cada indivíduo está só diante da tela. Não se comunica com ninguém, nem atua em comum, nem se organiza. Uma das razões é que os indivíduos devem estar sozinhos, enfrentando o poder centralizado e os sistemas de informação de forma isolada, para que não possam participar de modo significativo na administração dos assuntos públicos”.
Para ele, a imprensa está subordinada aos interesses da elite política e econômica dos Estados Unidos. É conhecido como um crítico dos estudos sobre a manipulação e do consenso fabricado. 
• Já os “direitistas defendem a idéia de que os jornalistas formam uma classe social específica e distorcem as notícias com o objetivo exatamente inverso: veicular idéias anticapitalistas”. 
Como refletir sobre essa troca de acusações?
Para reforçar a idéia esquerdista, Traquina relaciona quatro fatores que explicam a submissão do jornalismo aos interesses capitalistas: 
 
1- Estrutura da imprensa jornalística;
2- Sua natureza capitalista
3- Dependência do jornalista às fontes governamentais e empresariais;
4- Ações punitivas dos superiores;
Perseu Abramo cita alguns padrões que considera relativos à manipulação da imprensa:
1- Ocultação;
2- Fragmentação: o real é fragmentado e dividido em fatos desconectados para evitar a  consciência crítica do contexto.
3- Indução: combinação de artifícios para induzir o público a enxergar uma realidade  conveniente para determinado veículo.
4- Global: ilusão de apresentar a realidade de forma completa, total, acabada.
5- Inversão: após a descontextualização, há a troca de lugares e importância dos fatos.
Para Traquina, o problema central desse modelo é a sua visão determinista sobre os jornalistas. “Visões diferentes, limitações semelhantes”.

Teoria Construcionista

Na Teoria Construcionista a notícia é vista como construção social, ou seja, esta ajuda a construir a própria realidade. Esta teoria, adaptada ao jornalismo nos anos 70, opõe-se à Teoria do Espelho, por motivos citados por Traquina como, a impossibilidade de estabelecer uma distinção radical entre realidade e os meios noticiosos que devem refletir essa realidade; a inexistência de uma linguagem neutral; a influência de fatores organizacionais, orçamentais e  à imprevisibilidade dos acontecimentos. 
A notícia considerada uma construção não é ficcional, mas muitos profissionais da área ainda acham que considerá-la uma estória ou narrativa tira o valor de realidade. O que teóricos do construcionismo, como Gaye Tuchman, Schudson, Bird, Dardenne e Stauart Hall tentam explicar é que a notícia deixa de ser um simples relato, e passa a ser considerada como uma construção, pois podem apresentar diferentes enfoques ou versões de um mesmo fato. “A conceitualização das notícias como estórias dá relevo à importância de compreender a dimensão cultural das notícias”, argumenta Nelson Traquina.
Segundo pesquisadores do jornalismo, como Schlesinger, é importante analisar o jornalismo pela abordagem etnometodológica, e não somente pelo produto jornalístico, como outras concepções fazem. Advinda de uma corrente da sociologia americana, a etnometodologia surgiu no final da década de 1960. A observação acadêmica da rotina nas redações jornalísticas possibilitou a compreensão das ideologias e das práticas profissionais dos jornalistas, corrigindo a visão mecânica do processo de produção. Para Nelson Traquina, esses estudos contribuíram com o entendimento do jornalismo: importância da dimensão transorganizacional (Networking informal e Conexão cultural); o reconhecimento das rotinas como elementos cruciais, que englobam e são constitutivas de ideologia; corrigem as teorias instrumentalistas.


Teoria Estruturalista
Inovações metodológicas e novas interrogações foram fatores responsáveis pelo surgimento das Teorias Estruturalista e Interacionista, a partir dos anos 60 e 70. Traquina argumenta que as duas teorias são complementares, mas divergem em alguns pontos. É preciso lembrar que essas duas teorias tiveram como base a Teoria Construcionista. As duas teorias têm em comum a crença de que a notícia é resultado de processos complexos de interação social entre agentes sociais: “os jornalistas e fontes de informação; os jornalistas e a sociedade; os membros da comunidade profissional, dentro e fora da sua organização”, argumenta Traquina.
Todas as argumentações apresentadas pelas outras teorias, como por exemplo, de que o jornalista sozinho decidia o que seria notícia ou não ou que a responsabilidade era só da organização, são criticadas por estas teorias, mas não são ignoradas, pois são complementares. Os teóricos dessas teorias acreditam que as interações sociais são complexas. Traquina diz que é importante a identidade das fontes de informação e é preciso refletir sobre as consequências sociais resultantes dos processos e procedimentos utilizados pelos jornalistas.
Traquina explica que Stuart Hall e outros autores defendem que as notícias são um produto social resultante de vários fatores: a organização burocrática da mídia; a estrutura dos valores notícia, a prática e a ideologia profissional dos jornalistas; o próprio momento de construção da notícia – identificação e contextualização.

Ambas teorias são construcionistas e ressaltam a importância de se analisar o jornalista como um construtor da realidade, não somente um reprodutor. Entender este conceito é  fundamental para reforçar a importância do jornalista e do jornalismo, pois deixa de relacionar este campo profissional somente à técnica. Sem os devidos conhecimentos e capacidades de reflexão e análise, o jornalista torna-se um reprodutor, parte de um processo que poderia ser substituída e automatizada. Ser jornalista é muito mais do que relatar, é construir, contextualizar, vivenciar. As influências das teorias não estão somente na construção das notícias, mas em como as pessoas as recebem. Os jornalistas, por mais que tentem buscar a neutralidade, acabam incluindo suas ideologias e experiências nas notícias, que podem influenciar o receptor desprovido de uma leitura mais crítica. Atualmente, os veículos e as próprias instituições de ensino do jornalismo utilizam-se do pretexto de neutralidade e objetividade no jornalismo, mas basta analisar dois veículos diferentes e os diferentes enfoques ou construções dados à notícia podem ser observados, ou seja, existe subjetividade no jornalismo, por mais que esta tente ser camuflada ou ignorada.
A reprodução de uma ideologia dominante, um dos princípios da Teoria Estruturalista aplicada no jornalismo, de acordo com a filósofa Marilena Chaui, implica em um “mascaramento da realidade social que permite a legitimação da exploração e da dominação”. Ou seja, como explica Chaui, o falso pode tornar-se verdadeiro, o injusto por justo. Os contrários à ideologia dominante são minorias, portanto muitas vezes, o jornalismo mesmo sendo uma construção da realidade, não constrói necessariamente a realidade da sociedade.  
Construir notícias implica em uma proximidade entre jornalista e sociedade, caso contrário este estará construindo algo que difere da maioria da população e certamente não é uma realidade. Os conceitos apresentados por essas duas teorias são interessantes, pois admitem a influência do jornalista na produção das notícias. 
Contrárias à visão instrumental do jornalismo, as teorias reforçam que o jornalista é um ser dotado de opiniões e experiências que podem fazer parte das notícias, um jornalismo mais humano e menos técnico. A técnica pode ser aprendida, mas a essência é o que diferencia e faz parte de cada indivíduo, algo que nem mesmo as máquinas poderão substituir um dia.

Teoria Espiral do Silêncio

Espiral do silêncio é uma teoria da ciência política e comunicação de massa proposta pela cientista alemã Elisabeth Noelle-Neumann.
É a hipótese científica de sucesso, segundo a qual há uma ideia de espiral que explicita a dimensão cíclica e progressiva dessa tendência ao silêncio.
Quanto mais minoritária a opinião dentro de um universo social, maior será a tendência de que ela não seja manifestada.
Quando os meios de comunicação, diante de um escândalo político, impõem uma imagem desfavorável de seu protagonista, essa opinião será dominante no universo social que eles atingem. Apesar de haver vozes minoritárias discordantes, haverá uma tendência de que elas se calem.
Quando parte desse grupo se cala, a opinião discordante, que já era minoria, se torna ainda  mais minoritária, e a tendência ao silêncio é ainda maior.

História
Estudos sobre a Espiral do Silêncio começaram na década de 60. Essa teoria foi proposta epecificamente a partir das pesquisas da alemã Elisabeth Noelle-Neumann sobre os efeitos dos meios de comunicação de massa. Na Alemanha, entre 1965 e 1972, durante as campanhas eleitorais Noelle-Neumann percebeu uma súbita mudança de opinião, dos eleitores, na reta final do processo de eleição. De acordo com seus estudos, ao mudar de opinião, os eleitores buscavam se aproximar das opiniões que julgavam dominantes.
A ideia central desta teoria situa-se na possibilidade de que os agentes sociais possam ser isolados de seus grupos de convívio caso expressem publicamente opiniões diferentes daquelas que o grupo considere como opiniões dominantes. Isso significa dizer que o isolamento das pessoas, de afastamento do convívio social, acaba sendo a mola mestra que aciona o mecanismo do fenômeno da opinião pública, já que os agentes sociais têm aguda percepção do clima de opinião. E é esta alternância cíclica e progressiva que Noelle-Neumann chamou de Espiral do Silêncio (LAGE, 1998, p. 16).
Existe uma tendência de acompanhar a opinião da maioria das pessoas, talvez por medo do fator isolamento, isto pelo fato de, em geral, a sociedade exigir uma certa conformidade com o tema em discussão. Este cenário tem a finalidade de manter-se um mínimo de unidade para garantir coerência.
A Teoria da Espiral do Silêncio procura explicar a influência da opinião pública nas opiniões de cada indivíduo. Os estudos desta teoria começaram na década de 60, com base nas pesquisas sobre efeitos dos meios de comunicação em massa e foram elaborados pela socióloga e cientista política alemã Elizabeth Noelle-Neuman. O conceito da Teoria do Espiral do Silêncio surgiu pela primeira vez em 1972, em um congresso internacional de psicologia, em Tóquio, com a participação da alemã Noelle-Neuman. Todavia, somente em 1984 a teoria foi publicada em forma de livro “Espiral do Silêncio”. 
Como entender a Teoria da Espiral do Silêncio de forma simples? Basicamente quando uma opinião individual difere da maioria ou do pensamento coletivo, pode ocorrer uma reação de isolamento social do indivíduo, em que as pessoas alteram a sua forma de pensar ou são silenciadas. A pesquisadora Noelle-Neuman dizia que as pessoas optavam pelo silêncio, por causa do medo da solidão social. Jornalista e docente, Vânia Coelho conta em seu blog que a alemã acreditava que esse medo se propaga em espiral e pode esconder desejos de mudanças presentes na maioria silenciosa, por isto o nome, Espiral do Silêncio. Ou seja, a Espiral do Silêncio tenta entender a sociedade que é silenciada diariamente e acaba sendo influenciada pelos hábitos baseados no senso da maioria ou pela imaginação do que estes poderiam dizer.
“O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos, à exceção dos duros de espírito”, argumenta Noelle-Neuman, que conta em seu livro que propôs o termo Espiral do Silêncio  para descrever este mecanismo psicológico.
Para entender melhor como funciona a Espiral do Silêncio, é preciso conhecer os três mecanismos descritos por Noelle-Neuman pelos quais a teoria influencia a mídia sobre o público: 1) Acumulação: excesso de exposição de determinados temas na mídia; 2) Consonância: forma semelhante como as notícias são produzidas e veiculadas; 3) Ubiqüidade: presença da mídia em todos os lugares.
A mesma mídia que diz publicar o que é de opinião pública é aquela que é indiferente à população quando esta precisa. A Teoria do Espiral do Silêncio ajuda a entender como a mídia funciona em relação à opinião pública e silencia suas idéias.

Teoria do Agendamento
A Teoria do Agendamento ou Agenda-setting theory, no original, em inglês, é uma teoria de Comunicação formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970. De acordo com este pensamento, a mídia determina a pauta (em inglês, agenda) para a opinião pública ao destacar determinados temas e preterir, ofuscar ou ignorar outros tantos.

História
As ideias básicas da Hipotese do Agendamento podem ser atribuídas ao trabalho de Walter Lippmann, um proeminente jornalista estadunidense. Ainda em 1922, Lippmann propôs a tese de que as pessoas não respondiam diretamente aos fatos do mundo real, mas que viviam em um pseudo-ambiente composto pelas "imagens em nossas cabeças". A mídia teria papel importante no fornecimento e geração destas imagens e na configuração deste pseudoambiente.

A premissa básica da teoria em sua forma moderna, entretanto, foi formulada originalmente por Bernard Cohen em 1963: "Na maior parte do tempo, [a imprensa] pode não ter êxito em dizer aos leitores como pensar, mas é espantosamente exitosa em dizer aos leitores sobre o que pensar".
Ao estudarem a forma como os veículos de comunicação cobriam campanhas políticas e eleitorais, Shaw e McCombs constataram que o principal efeito da imprensa é pautar os assuntos da esfera pública, dizendo às pessoas não "como pensar", mas "em que pensar".
Geralmente se refere ao agendamento como uma função da mídia e não como teoria (McCombs & Shaw, 1972).

Contexto e Fundamentos
A teoria explica a correspondência entre a intensidade de cobertura de um fato pela mídia e a relevância desse fato para o público. Demonstrou-se que esta correspondência ocorre repetidamente.
Acredita-se que o agendamento ocorra porque a imprensa deve ser seletiva ao noticiar os fatos. Profissionais de notícias atuam como gatekeepers (porteiros) da informação, deixando passar algumas e barrando outras, na medida em que escolhem o que noticiar e o que ignorar.
O que o público sabe e com o que se importa em dado momento é, em grande parte, um produto do gatekeeping midiático.
A função de agendamento é um processo de três níveis:
• Media Agenda (Agenda Midiática) - questões discutidas na mídia 
• Public Agenda (Agenda Pública ou da Sociedade Civil) - questões discutidas e pessoalmente relevantes para o público 
• Policy Agenda (Agenda de Políticas Públicas) - questões que gestores públicos consideram importantes.
Um dos debates entre pesquisadores são as questões de causalidade: é a agenda midiática que pauta a agenda da sociedade, ou o contrário? Iyengar e Kinder estabeleceram uma relação de causalidade com um estudo experimental no qual identificaram que o priming, a clareza da apresentação e a posição eram todos determinantes da importância dada a uma matéria de jornal. Entretanto, a questão de se há influência da agenda pública na agenda midiática continua aberta a questionamentos.

Conceitos importantes
Gatekeeping - controle sobre a seleção do conteúdo exercido pela mídia e pela imprensa.
Priming - no agendamento, a ideia de que a mídia atrai atenção para alguns aspectos da vida política em detrimento de outros (Baran & Davis, 2000).
Framing ou Enquadramento - apresentação de conteúdo de forma a orientar sua interpretação em certas linhas predeterminadas.
Time-lag ou Intervalo temporal - o período que decorre entre a cobertura informativa dos meios de comunicação de massa e a agenda do público (variável dependente).
A Teoria do Agendamento, também conhecida como Agenda-Setting, está relacionada aos meios de comunicação de massa e a publicação, com ênfase, de assuntos, que acabam influenciando a população, tornando-se tema de conversas e atitudes da sociedade.
Há mais de 300 anos o pesquisador alemão Tobias Peucer já estudava o jornalismo, a ética, os critérios de noticiabilidade e o papel da imprensa. Peucer é considerado progenitor das teorias do jornalismo e naquela época relatava como a imprensa influenciava a sociedade. Todavia, a formulação da teoria do Agenda-Setting aconteceu somente na década de 70, com os norteamericanos Maxwell McCombs e Donald Shaw, com a publicação de um artigo que analisava como a mídia é capaz de agendar temas que geram debates e tornam-se presentes na formação da opinião pública. Ainda de acordo com os teóricos, existe uma correlação entre agenda midiática, agenda pública e agenda política: a agenda midiática é a responsável pela criação das pautas; A agenda pública sobre questões de relevância para o público; A agenda política abrange questões políticas.

Funcionalista, a teoria tem como objeto de estudo a mensagem na comunicação, principalmente as mídias ou meios de comunicação de massa, como os jornais, as revistas, o rádio, a televisão e a Internet. As funções são valorizadas, cada parte do processo possibilita a  existência de um todo, por isto funcionalista. Por meio de pesquisas realizadas, um dos teóricos do agenda-setting, Maxwell McCombs dá como exemplo de como o Agendamento funciona e pode ser observado na questão política: quando os políticos debatem sobre o que está em destaque na mídia ou quando a mídia influencia os resultados das eleições. 
Nelson Traquina argumenta em seu livro “Teorias do Jornalismo - Volume 1: Porque as notícias são como são” que os jornalistas fabricam a opinião pública, em vez de expressá-la, pois nem sempre o que é transmitido pela mídia é o que faz parte dos assuntos da sociedade. A influência dos veículos de comunicação de massa é tão grande que a população passa a discutir e opinar de acordo com o contexto midiático, muitas vezes, mergulhado no sensacionalismo, como por exemplo, os atentados ao World Trade Center em setembro de 2001, o caso dos mineiros chilenos que foram soterrados em agosto de 2010 e o casamento real britânico em abril de 2011.

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